caderno de arte


Movimentos Involuntários do corpo. Livre é aquele que expressa o seu verdadeiro eu. Solte-se! Revele-se a si mesmo!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sempre Juntos!


   Desde que me entendo por gente minha mãozinha segurava naquela mãozona.
Mão grande, calejada, de gente forte e trabalhadora. Éramos figuras bem diferentes. Um homem grande com cara de bravo e eu, pequenininha, loirinha, magrinha e com toda  a leveza de uma criança. E andávamos pra lá e pra cá. Banco, mercado, bar pra fazer raspadinha, restaurante pra comer bife com batata frita, karatê. Éramos parceiros. Eu na vida dele e ele na minha. Se eu me perdia no mercado era só um assobio e eu aparecia. Tudo combinado.
   Saíamos andando pela rua falando com todos os que passavam. Brincando aqui, brigando ali, ele se entendia e era querido por todos. E eu andando junto, minha mãozinha segurando aquela mãozona. E assim seguíamos. Um cara durão para quem via de fora, mas para mim que segurava aquela mão, era um cara dono de um coração enorme. Brincalhão, prestativo e sorridente.
   Quantos sorrisos eu ganhei daquele rosto fechado sempre pronto para lutar.
   Sim, um guerreiro. Uma mulher, quatro filhos e seus negócios.
   Quantas brincadeiras e piadas nos fizeram rir.
   Eu o acompanhei e ele me acompanhou. Onde eu estava ele ia ver o que eu estava aprontando. Tomava conta de tudo.
   Carlos Alberto do Monte Rêgo. Para alguns Carlinhos. Para mim, meu avô, exemplo de homem. Perfeito, nem pensar, não fazia a menor questão disso. Ele era humano e fazia o que achava certo. Forte, seguro e determinado. Irreverente, cabeça dura, mas sempre andando pra frente.
   Agradeço muito pela oportunidade de ver tão de perto esse jeito tão especial de passar pela vida.