caderno de arte


Movimentos Involuntários do corpo. Livre é aquele que expressa o seu verdadeiro eu. Solte-se! Revele-se a si mesmo!

MOMENTOS DE UM DESPERTAR


    Dar uns passos para trás faz parte do processo? Rsrsrs
   Ontem peguei a minha metralhadora, ela estava guardada, mas ontem não aguentei, atirei, descarreguei todas as balas no meu marido. Foi como me deliciar comendo aquela torta de chocolate...mas logo veio a sensação de mal estar. Criticar é um vício. Zona de conforto. Não adianta nada tentar controlar. A chave é a mudança de percepção. Foi como se eu tivesse esquecido todos os ensinamentos. Atirei com tudo.
   Definitivamente amor não é o que eu sinto pelo meu marido. Quero mudá-lo o tempo todo. Quero controlá-lo, manipulá-lo. Quero que ele faça do meu jeito, quero que ele me agrade. Ainda coloco nele a responsabilidade pelo meu bem estar.
   Critiquei e julguei como há um tempo não fazia.
   Hoje parei para refletir. Não estava contente por ter saído dos trilhos, mas resolvi começar por não sentir culpa. Tudo é como deveria ser. O que posso fazer é aproveitar a circunstância como uma experiência de aprendizado.
   As críticas iam e viam na minha cabeça e pude perceber que a maioria ou todas eram fruto da minha frustração gerada pelas minhas expectativas.
   Impressionante a quantidade de expectativas que são geradas. Nesse momento meu peito apertou e as lágrimas escorreram.
   Muitas vezes consigo encontrar em mim o que eu critico nele, mas dessa vez preciso procurar melhor. São coisas que eu faço praticamente o oposto.
   A dificuldade de encontrar em mim foi gerando uma dor, eu sei que estão em mim, mas ainda não estou encontrando.
   Percebi um ódio. Como muitas vezes o que sinto por ele é raiva e dessa vez era ódio.
   Fico aliviada por saber que esse ódio não é por ele e sim pela minha sombra espelhada por ele. Que o ódio é por mim mesma, por essa parte de mim que considero tão ruim que não quero ver e projeto no meu marido. E deve estar tão lá no fundo, tão bem escondida que é difícil encontrar.
   São coisas que critico e julgo há muito tempo, mais uma prova de que ainda não encontrei em mim e preciso projetar do lado de fora.
   Percebi uma informação: “você ataca porque se sente sozinha, principalmente na criação do seu filho.” Quem se sentia sozinha quando eu era criança? Minha mãe se sentia sozinha e com certeza minha avó também se sentia sozinha. Meu avô era ausente na criação dos filhos, trabalhava o dia inteiro e viajava muito. Meu bisavô também era ausente e morreu aos 48 anos deixando 7 filhos e minha bisavó sozinha.
   Olhando para fora, para o meu entorno, eu não estou sozinha. A informação vem de dentro.
   Sigo no treinamento.

   Sangue, suor e lágrimas.

01 junho 2020
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Estava dentro de casa no final do dia, tranquila, quando escuto uma barulhada lá fora, galinha gritando e cachorro latindo! Saí correndo pra ver o que estava acontecendo, a galinha tinha saído do galinheiro e quando eu cheguei ela já estava na boca do cachorro! Aí a confusão aumentou, eu comecei a gritar com o cachorro que saiu correndo com a galinha na boca e gritei pra chamar meu marido que apareceu correndo atrás do cachorro...uuffaaa...rsrs..por fim o cachorro soltou a galinha e ela ficou bem! Mais tarde um pouco eu estava lavando louça, bem distraída e comecei a comentar com meu marido sobre o meu pai, prestei atenção em mim mesma e percebi um certo tom de julgamento nas minhas palavras. Na hora parei e comecei o mantra: "eu não sei, eu não sei, mudando a percepção. eu não sei, eu não sei, mudando a percepção" e resolvi mudar de assunto. Continuei lavando a louça e comecei: "aahhh coitada da galinha...oo dó dela...." Meu filho, de sete anos, do sofá já falou da forma mais simples e óbvia possível: " Pelo menos ela não morreu!!!!" Foi inevitável, eu sorri e pensei: " Muda a percepção minha filhaaaa!!!!!!!" rsrsrsrs sempre temos uma outra forma de ver a mesma situação.

20 março 2020

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Pensei algumas vezes em quem poderia entrar no papel de minha mãe. Minha avó poderia, ou então minha tia que é minha madrinha. Talvez uma amiga da minha mãe que eu goste muito...Mas não...percebi que mãe só tem uma, o amor de mãe não tem igual e que se a minha mãe se foi, fisicamente, é por que eu posso ficar assim. Eu tenho a minha mãe, ela só não está aqui em corpo. 
"E dessa maneira o Louco se dirige a figura da Mãe a um nível muito mais profundo e sutil; o útero do inconsciente, dentro do qual residem os padrões do seu destino e o real objetivo da sua vida."

16 fevereiro 2019
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Tá...entrei no meu porão e iluminei tudo...tudo. Tem de tudo ali...coisas boas esquecidas, cacarecos, coisas totalmente inúteis, sujeira...muita sujeira. Tem até o que não é meu... Não tá tão bagunçado assim...até q eu tenho uma certa noção do que tem ali, mas num canto escuro..encolhidinho, vejo meu ego...ou eu mesma...não sei bem....me surpreendi..não esperava por isso,me ver ali,assim...tão encolhida..tão  pequenininha..de cabeça baixa...triste, esquecida. O mesmo ego q me assusta e me fala coisas horríveis talvez pra me chamar atenção, para q eu olhe pra ele e cuide mais dele... cuide mais de mim.
Bom, e ai...to ali parada...olhando isso tudo...todas essas coisas acumuladas e a sujeira, eu, meu ego. O que faço agora? Não gosto de sujeira. Não quero cacarecos nem coisas inúteis  ocupando espaço. Vou limpar. Vou tirar tudo que não preciso mais, tudo que não me pertence...tudo que não serve pra mais nada. Acho q posso me pegar no colo primeiro...tirar a poeira de mim...do meu rosto, do meu cabelo, me fazer um carinho, me abraçar...aaiii como queria um abraço....dizer pra mim que tá tudo bem. Nesse momento, eu choro, meu filho vem correndo do quarto dele e me abraça, faz um carinho no meu rosto, no meu cabelo, me beija e diz que vai ficar tudo bem.

Quem ta no porão? Eu ou meu ego? Ou nós dois??

Arrisco a resposta. 
Só meu ego se encolheria no porão. Só meu ego ficaria triste e de cabeça baixa. Meu ser, meu verdadeiro eu é luz,  não se entristece e não se cansa.
O que posso fazer com meu ego?
Arrisco a resposta.
Tenho vontade de abraçá-lo e dizer que tá tudo bem. Não  vamos morrer, não vamos enlouquecer. Estamos renascendo. Que ele não precisa ter medo. Pode sair do esconderijo, nada de ruim vai acontecer, não precisamos ficar esperando o pior. Somos seres livres e perfeitos e aceitamos tudo o que a vida nos traz e sabemos q tudo é como deveria ser. Podemos confiar. Posso fazer um carinho nele. Dizer q somos lindos, dizer q somos perfeitos, que fazemos o nosso melhor, que temos muitos motivos para nos alegrar e agradecer. Posso sorrir pra ele.


31 janeiro 2018
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Às vezes me perdôo...a culpa some...o peito alivia...entendo as coisas...sinto uma certa coerência nas coisas...aceito e confio no rumo da vida....mas as vezes fica tudo embaralhado....o peito aperta...tenho q me concentrar pra não perder o foco.
Dói...
Ontem percebi q essa dor não é minha...q a culpa é uma informação q carrego...e carrego com tanta crença desde de pequena...percebi, senti essa informação...consegui me separar dela eu acho....
Mas não é permanente....a dor volta...
Eu sei...calma, paciência e estratégia...mantenha-se no presente, desfrute do que esta acontecendo não importando o que é....eu sei...to praticando...to praticando...mas tem horas q da um nervoso...não quero mais q doa...não quero
Da vontade de chorar...pedir colo...me sinto sozinha sabe...nessa caminhada...nesse novo mundo q se abre...eu sei q se eu souber aproveitar um novo mundo surgirá afinal a porta já se abriu...mas sei lá...é meio solitário isso...um caminho solitário, uma escolha totalmente nova, abrir mão de tantas verdades, de tantos vícios...sem saber o que vai acontecer...ter q confiar...eu quero confiar...eu quero aceitar q tudo é como deveria ser...mas são tantas correntes...tenho tantas visões da infância...tenho tido tanta contato com o passado...infância....como eu já sentia isso tudo...claro q de forma mais suave...mais leve...sei lá....o sofrimento da minha mãe do meu pai das minhas avós....pq, para q sofremos tanto?? Eu não quero mais...eu sei que sou livre...eu sei que posso desfrutar...eu enxergo isso...mas são tantas correntes...
Eu choro agora...não quero segurar...nao quero controlar....quero me libertar disso tudo...não aguento mais carregar essas correntes...sao pesadas demais e me impedem de voar...
Perceber a ilusão...as mentiras...o ego...perceber coisas q nem sei dizer o que são...pq são apenas umas sensações...é solitário...ter uma pequena sensação do q pode ser a verdade...é solitário...é confortável e desconfortável ao mesmo tempo....saber quem sou e não saber ao mesmo tempo...saber quem eu posso ser e saber que quem somos é uma farsa...máscaras e medos.... as vezes me sinto num corredor escuro....sem saber direito para onde estou indo...mas tb sem ter como voltar...muitas vezes me sinto muito conectada com o todo...a luz acende...mas é tipo uma montanha russa sabe...sobe e desce, entra no túnel, sai, aparecem monstros, aparecem fadas...

Respiro mais aliviada agora....tenho q seguir em frente né...confiando...desfrutando o momento presente não importando o que é.....

"Tudo isso é resultado da elevação do seu nível de consciência. 
Como se a muito tempo vc não fosse ao porão da sua casa, e agora vc vai com uma lâmpada de 200watts. Tudo fica mais claro e fácil de ver, todavia, vc também enxerga muito mais sujeira. 
A caminhada de qualquer espírito é solitária, e isso é uma dádiva. 
Saímos do UM, que é pura solidão, nos multiplicamos em infinitos pontos de vista, para finalmente voltar ao UM, solidão. 

Interpretar a solidão como ruim é truque do ego.

Não rejeite nada que vem na sua direção. A vida é feita de altos e baixos."



29 janeiro 2018
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Medos. Acho q podemos falar MEDO. São tantos e de todas as espécies mas no fundo é uma coisa só. MEDO. Confesso do fundo do coração que minha perna treme só de pensar no primeiro passo em direção a porta aberta. Fico agarrada nas minhas  correntes... Meu deus...q loucura... A sensação de medo não é nova na minha vida..de fato convivo com ela desde que me entendo por gente...medo disso, medo daquilo...mas agora ele veio inteiro...não tem disso ou daquilo...ele não ta disfarçado...parece que ta inteiro olhando pra minha cara e perguntando: e aí?  Vai encarar?


21 Janeiro 2018
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Já andou de montanha russa??
Mas daquelas bem radicais com uns monstros no meio do caminho? Rsrs... Meu corpo não esta em nenhum parque de diversões...pelo contrário...não é nada divertido...a montanha russa está na minha consciência...e o ego quando toma o controle...caraca...fica radical.

janeiro 2018
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O suco não foi uma limonada como tínhamos combinado, pedi laranja com amora. O líquido rosa me fez imaginar estar bebendo o amor. Aproveitei para fazer um lanche e enquanto esperava dancei em frente ao bar ao lado que tocava uma música boa. Foi um presente viver o momento presente entregue e aliviada. Sorri, abracei e beijei meu marido. Meu filho fazendo pirraça não me irritou. Comi com apetite. A tapioca de legumes estava uma delícia. Eu e minha mente nos deixamos um pouco...
  Chegamos em casa e deitamos na grama para ver as estrelas. Esperávamos por uma estrela cadente. Eu, Tiago e Ricardo. Ricardo normalmente nunca faz isso... Ficamos um tempão deitados, nos divertindo. Tiago ria a toa, num sentimento de euforia... como é simples a felicidade. Todos nós já sabíamos qual seria o nosso pedido. A estrela cadente não passou. Mas o Universo inteiro estava ali conosco. Tiago dormiu, Ricardo o levou para cama e eu fiquei ali. Eu fiz o meu pedido, eu e todas as minhas células. Sair do passado, desfrutar o presente e o fim da condenação. Fui deitar. Transamos. Não foi aquela loucura de maravilha, mas estávamos ali, juntos, nos amando, nos acariciando. Dormimos, abraçados. E eu sonhei.
 
  Sonhei com uma das casas que meus avós maternos moraram durante a minha infância. Foi uma casa que me marcou muito. Íamos alugar a casa no sonho. Estávamos eu e minha avó arrumando o quarto deles. Meu avô já se foi há um ano e meio. Quando eu abri o armário ainda tinham muitas coisas dele ali. Roupas, casacos, travesseiros, cobertores, não sei muito bem, estavam meio que organizadas em trouxas. Olhei para minha avó e disse: temos que tirar essas coisas daqui. E tiramos.

  Eu agradeço ao meu avô pela sua existência, pelo seu exemplo, pelo seu cuidado e carinho comigo e pela forma que conseguiu dar conta da vida.
 
  Vô, você foi uma pessoa muito importante para mim. Foi uma referência masculina muito forte. Mas agora vô, eu quero seguir no que eu acredito. Quero poder fazer uma história diferente, ou então, continuar a sua busca. É o fim da era da razão.

  Agradeço as minhas células, todas, que juntas nos reorganizamos e estamos voltando ao nosso equilíbrio e bom funcionamento.
  Sou grata ao Universo que sempre, sempre está a nosso favor, nos dá uns tapas mas também nos pega no colo.
  Sou grata aos meus conflitos que me dão a oportunidade de superá-los e caminhar em direção a cura.
  É o fim da condenação. Sou livre agora.
  O passado ficou para trás.
  Eu me amo e mereço desfrutar do meu presente.
  É o começo de uma nova era. A era do desfrute, do entusiasmo, da entrega, da paz, da confiança e do perdão.
  A porta está aberta, é só entrar. É só entrar. Nós; eu, minhas células amadas, minha consciência, você meu ego querido, seremos muito mais felizes. Livres. Viveremos de forma muito mais tranqüila e em paz. A porta está aberta, só precisamos de coragem para entrar.
  Não tenha medo ego, está tudo bem. Você também vai ser mais feliz. Mais bonito, mais corajoso, mais elogiado. O que acha disso?

  Vamos, a porta está aberta!


Janeiro 2018
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Num momento de angústia, aperto no peito e confusão mental procurei meu mestre e ele disse:
-Desista de todas as suas verdades imediatamente. Elas não são verdades.
-Estou tentando...mas é muito confuso, eu respondi.
-Não é tentativa, é decisão. Disse ele.
-Como faço isso?
-Fazendo. Só há uma maneira de desistir, desistindo.
-Eu quero desistir das minhas verdades agora. Mas, quais seriam elas?? São tantas...
- Desista de todas elas. Uma a uma.

Pensei nas mais óbvias a princípio. Medo, culpa, julgamento, sofrimento, razão...
Os dias foram passando e eu fui percebendo que tudo, tudo é uma verdade. Nossas verdades não passam de nossos hábitos. Foi o que eu entendi...práticas do dia a dia que vão  se tornando hábitos e assim agimos de forma automática até que tudo isso vire nossas verdades e até que todas elas virem o nosso falso ser.
Desistir das minhas verdades me pareceu desistir de mim mesma...
Desistir de todos os meus hábitos,  aqueles mais automáticos, aqueles mais enraizados....aqueles hábitos que não são meus...são de uma sociedade doente. Desistir das minhas verdades me pareceu que eu teria que me reconstruir...que eu teria que me despir de máscaras, cascas e couraças.
Aprecio meu filho que anda pelado pela casa...simples, ingênuo, sorrindo e livre, ainda não é um personagem fantasiado para se defender de quê?
Me dispo, desisto de ser essa pessoa criada para ter medo e andar de armadura, ou então em um saco bolha...
Desistir das minhas verdades me pareceu ser eu mesma, nua, livre, entregue.
Desistir das minhas verdades me pareceu ter que fazer tudo, tudo ao contrário do que eu faço.
Mudar os hábitos, acreditar em outras coisas....ou em nada que não seja aceitar a vida como ela é e desfrutar do momento presente.
Não reclamar, agradecer.
Não ter medo e sim coragem.
Não questionar,  confiar que nada poderia ser diferente.
Sorrir e só sorrir.
Cantar.
Dançar.
Pintar.
Desenhar.
Respirar com calma.
Movimentar o corpo.
Trabalhar na terra.
Não pensar, sentir.
Entregar as rédeas ao coração.
Não esperar a vida melhorar para ser feliz, e sim ser feliz para a vida melhorar.
Comer menos.
Falar mais baixo.
Mudar horários.
Ser menos rígida,  levar a vida menos a sério....
Fui percebendo que tudo, tudo o que fazemos fazem da gente o que a gente é e o que a gente sente....
Eu prefiro ser feliz do que ter razão.
Desfrute minha filha, desfrute!
Só há uma maneira de ser feliz, sendo!
Só há uma maneira de sair do passado, estando no presente.
Desfrute do presente agora, faça o que te faz bem e a felicidade se manifestará.
Que assim seja!


 4 de Janeiro de 2018
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Tá rasgando dentro de  mim a sensação de separação. Doi. Ele era só meu. Eu guardei dentro de mim durante 9 meses...depois trouxe ele para o mundo..mas ele era só meu mesmo assim...ele achava que era eu..e éramos mesmo...éramos 1 só. E agora...agora, juntos, estamos percebendo que somos diferentes...cada um é um. Eu olho pra ele e vejo uma pessoa..uma pessoinha, cheio de vontades e decisões muito bem defendidas. O olhos dele brilham, o corpo dele vibra. Cheio de vida, cheio de luz...minha fonte de alegria. Minha fonte de luz e alegria. Faz parte do processo...a gente cria pro mundo, ja dizia a minha mãe. É...mas ele é tão  pequenininho....mas cresce..ta crescendo...já não é mais um bebê...
A dor física do parto para q ele viesse ao mundo e agora a dor dentro do peito para entrega-lo ao mundo...
Medos..angustias...aperto...separação.  Eu dele e ele de mim....
Te amo meu filho, mais do que tudo nessa vida e vejo que você está  crescendo e que anda com as próprias pernas! Estarei sempre ao seu lado, sempre!

Dezembro 2017
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Essa porra dessa mente....ta querendo me derrubar.....porra....eu tava ótima...tranquila...desfrutando..percebi algumas jogadas mas passei pelos testes e agora ela veio pra acabar comigo. Puta q pariiiiuuuuuuuu!!!!!!! Pra que???? Ainda nao passei pelos testes suficientes?  Ainda preciso ser testada??? 
A vida quer q eu tenha mais certeza da minha escolha ne.....colocou a mente pra me derrubaarrrrr!!!!! Pois entao...querida mente....fique sabendo  que eu estou firme na minha escolha. Pode vir. Vida, pode me testar...eu to aqui..pronta....firme. Tenho consciência do meu poder e tenho muito claro no meu coração a minha escolha. A minha direção. Sei quem eu sou e vc, minha mente querida, nao vai me dominar. Vc ja teve esse gostinho e agora quem manda é o meu coração. Te agradeço pelas peças que me prega so me deixam mais forte. 
Desfrute...desfrute minha filha...desfrute!


dezembro de 2017
  
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Uma manhã chuvosa. Transo com o meu marido. Não penso em nada nem em ninguém, não questiono nada, não acho nada ruim. Aproveito o momento, me delicio, gozo e digo que o amo. Há um tempo não dizia isso. Foi tão bom....
Meu cachorro vem e parece que quer falar alguma coisa pra mim. Pede carinho, se aconchega e fica me olhando...enfim...passo um tempo na cama brincando com meu filho e com alguns dos bichos que vivem com a gente. Estamos felizes, rindo e nesse momento me sinto livre.
  Me levanto e recebo uma mensagem da minha mãe dizendo que minha avó tinha mandado uma mensagem pra ela dizendo: Desabei, não consigo pensar e resolver nada. Pergunto o que houve, minha mãe não sabe. Fecho meus olhos. Me arrepio. Sinto paz. Como se o tempo tivesse parado. Me sinto leve e conectada. Algo acontece. Parece que uma energia estagnada se move.

  Há uns dias atrás minha avó foi na sua primeira consulta com o Dr. Carlos Veiga.

  Antes disso, um pouco mais de um mês eu fui. Desde então venho me trabalhando e algumas fichas vêm caindo.

  Mulheres. Muitas mulheres na família. Raiva. Raiva dos homens. Informações. Informações de que os homens não nos protegem. Medos. Atitudes...
  Mãe. Espelhos. Julgamentos. Culpas. Tanta coisa...tanta informação...tantos conflitos...

  Quero engravidar. Estou há uns meses tentando e ainda não veio. Na última menstruação confesso que chorei, desabei. Me sentei na varanda e comecei a rever algumas questões. Comecei na minha relação com o meu marido, minha mãe com o marido dela, minha avó com meu avô. Eu com a minha mãe. Eu comigo mesma.

  Meio confuso e esclarecedor ao mesmo tempo. A informação de que os homens não nos protegem e de que temos que ser fortes pra enfrentá-los estava atrapalhando meu relacionamento. Assim como o da minha mãe e o das minhas tias talvez. Nenhuma delas tem um relacionamento onde se sintam minimamente confortáveis. São todas separadas, menos a minha mãe...

  A forma como imito a minha mãe, mesmo sem querer...

  Meu marido me protege sim...ele nunca me provou o contrario.

  Então consegui chegar no dia em que essa informação acordou no meu consciente. Foi bem no começo do meu relacionamento. Passamos por uma situação onde eu me senti desprotegida por ele e acabei julgando a atitude dele. E nesse dia, sentada na varanda, somente nesse dia tive a benção de perceber que era um julgamento pra mim mesma...claro!! Não poderia ser diferente. Julguei fortemente a incapacidade dele de enfrentar a mãe e vi que quem não tinha força pra enfrentar a mãe era eu ...não foi a toa  que me mudei para outro estado. Esse momento foi tão lindo, tão leve, tão libertador. Carreguei esse julgamento durante anos, apontando o dedo pra ele e naquele momento via a oportunidade de resolver essa questão que era minha.

  E o fato de ter me sentido desprotegida numa situação onde eu achava que ele deveria enfrentar a mãe para me proteger ou apenas simplesmente enfrentar a mãe talvez tenha sido a brecha para despertar a informação de que os homens não nos protegem.
( Só para ter uma informação mais completa, essa foi a mesma situação para onde voltei para resolver o rancor e a auto desvalorização quando fui na minha primeira consulta com o D Carlos Veiga ver a lateral externa do meu joelho esquerdo. Ou seja, essa situação mexeu bastante!)

  Mas eu percebi nesse dia, sentada na varanda, que isso não era uma realidade, muito pelo contrario, ele sempre me protegeu. Consegui ter a clareza de todo esse tempo juntos e ele nunca me deixou desprotegida. Como eu poderia me sentir assim?

  Informação. Informação que vem passando de mulher para mulher e assim vamos vivendo. Chegamos até hoje assim, mas não precisamos continuar.

  Eu não preciso imitar a minha mãe.
  Talvez por não ter tido coragem de enfrenta-la, por eu não ter sido entregue ao meu pai, nunca me senti capaz de enfrentar o mundo e assim sigo, seguia, com medo de não conseguir, com  medo de não ser aceita e por isso vivo, vivia, em busca da permissão dela. Inclusive no meu relacionamento. Imitava ela e esperava ser aprovada. Não...não preciso mais disso.  

  Continuo sentada na varanda...

  Então agradeço, agradeço por todas essas informações que vêm com muita força sendo passada de geração por geração. Talvez isso explique toda essa raiva que eu sinto, sentia.

  Agradeço a minha mãe, a minha avó, a minha bisavó e a todas as mulheres que vieram antes, talvez tenha sido uma informação importante pra chegarmos até aqui, mas com todo respeito, ela não é mais necessária. Posso fazer diferente agora.

   Agradeço a minha mãe por toda a proteção, mas digo que sou capaz de ser eu mesma!

  Leve e um pouco mais lúcida me levanto. Escrevo duas cartas. Uma para o Ricardo, meu marido e a outra para minha mãe.

Cartas:

  Ricardo, meu marido, 38 anos. Eu te aceito como o maior mestre que a vida poderia me dar. Por muitos anos te julguei e te critiquei, apontei para você e te culpei. Hoje te agradeço por ter sido o meu espelho e por ter me mostrado minha sombra, meu lado escuro que eu não poderia ver se não tivesse você. Te agradeço por me fazer me conhecer, mesmo que isso tenha sido doído.
  Não estamos juntos por acaso. Somos um para o outro uma grande oportunidade de cura. Me vejo refletida em você e tudo que te aponto identifico em mim. Te agradeço por me refletir tão bem e perfeitamente. Isso me fez sofrer muito todos esses anos, mas com certeza desse sofrimento tiro aprendizados. Esse sofrimento me fez buscar conhecimento, me fez buscar entender o funcionamento das coisas.
  Estamos juntos pois o universo nos quis assim. Somos perfeitos um para o outro. Somos complementares nas nossas questões. Nos damos perfeitas oportunidades de resolver os conflitos do nosso clã.
  Eu te agradeço por estar comigo nessa jornada, juntos somos um só.
  Eu, Taissa, 34 anos, me sinto protegida por você. Te aceito, te respeito como você é, pois me aceito e me respeito como sou. Me sinto protegida por você. Você protege nosso filho Tiago, nossa casa, nosso negocio, sou muito grata a você por isso. Somos parceiros, nos cuidamos e nos respeitamos. Obrigada.


  Para minha mãe:
Mãe, eu te agradeço por tudo o que eu fez por mim. Por toda a proteção que me deu. Por me trazer ao mundo e cuidar de mim com toda sua dedicação. Te agradeço por ser um exemplo de mulher pra mim, forte, trabalhadora, honesta. Tenho certeza que fez o que pode, que fez o seu melhor e pra mim foi tudo perfeito! Agradeço por toda a proteção até hoje, eu realmente precisei dela. Agradeço pelo acolhimento, carinho e dedicação. Mas agora, sou mãe e sinto que preciso cortar nosso cordão. Preciso acreditar que sou um ser independente, livre e posso fazer as minhas escolhas sem necessitar da sua aprovação. Peço licença para seguir o meu caminho do jeito que eu acredito e que dou conta.


  Hoje, sei que algo acontece. Tomo um banho bem quentinho, lavo bem o meu cabelo, ainda nem tomei café da manhã....com certeza alguma coisa diferente acontece.



12 de novembro de 2017
Em fevereiro de 2018 minha mãe veio a falecer.

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Hoje fiz uma escolha importante, talvez tão importante quanto escolher o desfrute e entusiasmo e com certeza mais difícil. Até por que, escolher o desfrute não é tão difícil assim...afinal...ninguém escolheria de forma consciente ficar sofrendo.
Mas hoje a escolha foi fazer diferente...abrir mão de pelo menos uma verdade....
Moro em uma casa que foi construída por mim e pelo Ricardo, meu marido. Não é uma casa pequena pois além de nossa moradia ela é também um albergue, ou seja, enfrentamos muita obra e assim é até hoje. O que significa que tive que me acostumar com montes de brita e areia pelo terreno. Mas o pior não são os montes e sim os restos que ficam depois que a construção acaba. Eu ficava louca com aquelas britas e areias eternas no quintal e começava a juntar tudo em montinhos, pedia para o Ricardo me ajudar e aquilo ia me dando um mau humor...mil coisas pra fazer e eu juntando brita e areia. Esses materiais são colocados sempre no mesmo lugar, um lugar que ainda não tem grama, é terra e matinhos espalhados. Mas eu queria que aquele lugar ficasse “limpo”, ou seja, sem brita e sem areia. Juntar tudo não era o problema, o mais chato era tirar dali e dar um destino, até por que a areia vem misturada com terra, brita, mato, enfim..não vem só areia e a brita a mesma coisa, vem com areia, com terra, mato e ai separar tudo é inviável e isso me dava uma certa irritação. E hoje lá estava eu...juntando montinhos de brita e areia e tudo mais. Até o momento em que comecei a perceber o mau humor chegando, a sensação de prisão, de estar fazendo algo meio sem sentido, me senti cansada e sem nenhum entusiasmo...tava um saco estar fazendo aquilo...eu já tava ficando puta...e percebi muito claro essa prisão dentro de verdades, dentro de uma visão que é minha, o Ricardo por exemplo não vê necessidade em fazer aquilo...percebi essa questão de que criamos umas verdades que parecem ser tão obvias mas que as vezes pode não fazer muito sentido...então...parei...parei de fazer os montinhos e resolvi espalhar tudo...tudo! Nesse espaço normalmente fazemos fogueira, ainda não tem grama e então espalhei tudo, deixei o monte maior de areia, até por que o Tiago adora brincar na areia e depois lembrei que eu também adoro pisar na areia...por que não deixar ali?
Espalhei a brita, o resto da areia, misturei tudo, pisei na areia e me senti tão livre, tão aliviada...estava me obrigando a fazer uma coisa que eu não queria e que não fazia tanto sentido...por que tinha que tirar? A minha resposta era pra ficar mais bonito, mais arrumado... Conceitos e verdades engessados....muros e prisões criados por nós mesmos que sugam nossa energia.
  Depois de espalhar tudo, olhei pro lugar que eu sempre quis que fosse gramado e pensei: porque não areia ao invés da grama? Uma oportunidade de pisar na areia e me sentir na praia...um chão macio para sentar em volta da fogueira...até crescer grama ali vai demorar muito, comprar a grama é caro e plantar vai da trabalho...teremos a oportunidade de ter diversas texturas para sentir com o pé, temos grama, temos terra, temos brita, temos pedras grandes, temos  piso de dentro da casa...enfim...comecei a perceber que existem outras possibilidades além daquela que a gente pensa e julga ser a melhor sem nem querer pensar nas outras...e também comecei a entender que as coisas não precisam ser sempre todas planejadas...as vezes elas vão se resolvendo com o tempo, as coisas vão se encaixando, o universo não está parado, nada está parado, tudo está sempre em movimento, a natureza está o tempo todo se transformando e assim, nós também estamos! Deixar fluir esse movimento, deixar essa transformação acontecer, acho que isso sim é liberdade!!

novembro 2017