caderno de arte


Movimentos Involuntários do corpo. Livre é aquele que expressa o seu verdadeiro eu. Solte-se! Revele-se a si mesmo!

domingo, 31 de julho de 2016

TRANQUILA


E se hoje o Sol não aparecer
Tudo bem, fico tranquila
Arrumo outro jeito de me aquecer

O frio chegou, o corpo esfriou, o vento soprou
E as árvores, dançam, lindas!
Todos continuam com suas rotinas
Mesmo se o Sol não aparecer

Eu me ausento do tempo um pouco e vejo que a Terra continua a girar e até mesmo o Sol, em algum outro lugar está a brilhar.

Mas eu fico tranquila, sei que tudo vai passar.

A Lua, bem cheia, vai chegar e iluminar a escuridão que tomou conta do meu coração.
Mas no escuro, percebo o sentimento mais puro, o amor.
E de repente me vejo sozinha, ao som do silêncio, da vida que acontece a minha volta.

Todos se foram.
Mas eu fico tranquila, sei que vão voltar.

Um tempo que pára dentro de mim, um silêncio que vibra dentro de mim, lá fora, tudo acontece normalmente.
Mesmo sendo tudo igual aparentemente, para mim está diferente.

E se o Sol não aparecer, tudo bem, fico tranquila, espero o próximo amanhecer.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sempre Juntos!


   Desde que me entendo por gente minha mãozinha segurava naquela mãozona.
Mão grande, calejada, de gente forte e trabalhadora. Éramos figuras bem diferentes. Um homem grande com cara de bravo e eu, pequenininha, loirinha, magrinha e com toda  a leveza de uma criança. E andávamos pra lá e pra cá. Banco, mercado, bar pra fazer raspadinha, restaurante pra comer bife com batata frita, karatê. Éramos parceiros. Eu na vida dele e ele na minha. Se eu me perdia no mercado era só um assobio e eu aparecia. Tudo combinado.
   Saíamos andando pela rua falando com todos os que passavam. Brincando aqui, brigando ali, ele se entendia e era querido por todos. E eu andando junto, minha mãozinha segurando aquela mãozona. E assim seguíamos. Um cara durão para quem via de fora, mas para mim que segurava aquela mão, era um cara dono de um coração enorme. Brincalhão, prestativo e sorridente.
   Quantos sorrisos eu ganhei daquele rosto fechado sempre pronto para lutar.
   Sim, um guerreiro. Uma mulher, quatro filhos e seus negócios.
   Quantas brincadeiras e piadas nos fizeram rir.
   Eu o acompanhei e ele me acompanhou. Onde eu estava ele ia ver o que eu estava aprontando. Tomava conta de tudo.
   Carlos Alberto do Monte Rêgo. Para alguns Carlinhos. Para mim, meu avô, exemplo de homem. Perfeito, nem pensar, não fazia a menor questão disso. Ele era humano e fazia o que achava certo. Forte, seguro e determinado. Irreverente, cabeça dura, mas sempre andando pra frente.
   Agradeço muito pela oportunidade de ver tão de perto esse jeito tão especial de passar pela vida.  


VIDA ETERNA

Acho que era terral o vento quente que soprava naquela manhã de sol e céu azul. O mesmo vento que deixa o mar lisinho e as ondas perfeitas... Vi pássaros e não tinha nuvens. Seria um dia maravilhoso se não fosse o furacão que passava dentro de mim. Um ótimo dia para um passeio. Para qualquer lugar, até mesmo para onde não conhecemos. Que esse vento quente tenha te levado Vô, sem te deixar sentir frio jamais. E que nesse lugar você seja acolhido pela paz e pela eternidade. Sou um pedacinho seu e carrego sua força comigo. Se não disse que te amo tantas vezes quanto senti, foi por que ainda acreditava em heróis imortais. Sou muito grata pela oportunidade de ser sua neta e poder ter visto o mundo pelos seus olhos. Seus passos na terra estão sendo seguidos. Vida eterna Vô!